Blá
- Eu nunca gosto de nada, e gostei tanto de você.
- É?
- Droga.
- O quê?
- Eu falando de gostar.
- E daí?
- E daí que vai acontecer tudo de novo.
- O quê?
- Vou sentir demais, falar demais, escrever demais. E você vai embora.
Tati Bernardi.  (via delator)
Queria entender, eu juro. Queria não me doar tanto, não planejar demais. Sabe, eu menti pra você. Menti feio. E menti pra mim também, muito. Não deixei de planejar não. Não aderi ao estilo deixa-fluir-não-planeja-e-vive. Eu planejo, eu quero planejar, eu preciso saber que a certeza vai vir um dia. Desculpa decepcionar você. Mas eu planejo. Planejo alguns dias marcantes. Planejo dias comuns. E se você age de uma forma diferente dos planos, não se preocupe, sei lidar com os meus choques de realidade. Não quero que você seja perfeito e faça tudo certinho. Os meus planos não são certos, muito menos eu sou certa - isso você está careca de saber.
Clarissa Corrêa   (via delator)
Um amigo não racha apenas a gasolina: racha lembranças, crises de choro, experiências. Racha a culpa, racha segredos. Um amigo não empresta apenas a prancha. Empresta o verbo, empresta o ombro, empresta o tempo, empresta o calor e a jaqueta. Um amigo não recomenda apenas um disco. Recomenda cautela, recomenda um emprego, recomenda um país. Um amigo não dá carona apenas pra festa. Te leva pro mundo dele, e topa conhecer o teu. Um amigo não passa apenas cola. Passa contigo um aperto, passa junto o reveillon. Um amigo não caminha apenas no shopping. Anda em silêncio na dor, entra contigo em campo, sai do fracasso ao teu lado. Um amigo não segura a barra, apenas. Segura a mão, a ausência, segura uma confissão, segura o tranco, o palavrão, segura o elevador. Duas dúzias de amigos assim ninguém tem. Se tiver um, amém.
Martha Medeiros.   (via delator)
Eu erro muito. Quase todo dia, pra ser mais específica. Mas durmo com a consciência tranquila, com a alma serena. Não faço mal pra ninguém, ninguém mesmo. Talvez eu magoe algumas pessoas sem querer. Talvez, não, com certeza. Ninguém é como a gente espera. E eu já entendi que inevitavelmente a gente magoa e é magoado.
Clarissa Corrêa. (via enoitecer)
Cada escolha que fazemos, decepcionamos alguém… Só temos que ter cuidado para não decepcionar as pessoas erradas.
Click.               (via shadowlandworld)
Já amei uma vez sem muitos sucessos. Foram noites fazendo planos, elogios exagerados. Eu contava os dias para ver a pessoa que me tirou o fôlego na primeira vez em que a vi, a pessoa que tirou horas das minhas manhãs quando o assunto era ela, eu fui feliz por trás do engano. Engano das vezes em que esperei você vir falar comigo e não veio, dos planos que éramos pra fazer juntos e não fizemos, o tempo passou e quando vi que você já não estava mais sozinho, percebi que também me engano, realmente é um príncipe, mas não, não posso sentir nada por ele, chega de sofrer, de se enganar. Vamos ser amigos, continuar como está. Eu já consegui sair dessa uma vez, acho que vale a pena arriscar. Esqueci de contar: além de orgulhosa e medrosa também gosto de me permitir amar.
Anônimo.    (via delator)
Se
embriague
de amor
e vomite
declarações.
Robson Moreira. (via delator)
Aqui estou, de cabeça erguida e esbanjando felicidade. Meu sorriso voltou a ser sincero e parece que minha fase ruim já passou. E olha que só demorou duas semanas para tudo isso acabar e eu me sentir completamente feliz. Meu Deus! A quem vou enganar? Eu estou horrível.
 Eternue.  (via delator)
Se eu fosse eu, reagiria. Diria exatamente o que eu penso e sinto quando alguém me agride sem perceber. Deixaria minhas lágrimas rolarem livremente, não regularia o tom de voz, nem pensaria duas vezes antes de bronquear, mesmo que mexicanizasse a cena. Reclamaria em vez de perdoar e esquecer, em vez de deixar o tempo passar a fim de que a amizade resista, em vez de sofrer quieta no meu canto. Se eu fosse eu, não providenciaria almoço nem jantar, comeria quando tivesse fome, dormiria quando tivesse sono, e isso seria lá pelas nove da noite, quando cai minha chave-geral. Acordaria então às cinco, com toda a energia do mundo, para recepcionar o sol com um sorriso mais iluminado que o dele, e caminharia a cidade inteira, até perder o rumo de casa, até encontrar o rumo de dentro. Se eu fosse eu, riria abertamente do que acho mais graça: pessoas prepotentes, que pensam saber mais do que os outros, e encorajaria os que pensam que sabem pouco, e sabem tanto. Eu faço isso às vezes, mas não faço sempre, então nem sempre sou eu. Se eu fosse eu, não evitaria dizer palavrões, não iria em missa de sétimo dia, não fingiria sentir certas emoções que não sinto, nem fingiria não sentir certas raivas que disfarço, certos soluços que engulo. Se eu fosse eu, precisaria ser sozinha. Se eu fosse eu, agiria como gata no cio, diria muito mais sim. Se eu fosse eu, falaria muito, muito menos. E menos mal que sou eu na maior parte do dia e da noite, que sou eu mesma quando escrevo e choro, quando rio e sonho, quando ofendo e peço perdão. Sou eu mesma quando acerto e erro, e faço isso no espaço de poucas horas, mal consigo me acompanhar. Se eu fosse indecentemente eu, aquele eu que refuta a Bíblia e a primeira comunhão, aquele eu que não organiza sua trajetória e se deixa levar pela intuição, aquele eu que prescinde de qualquer um, de qualquer sim e não, enlouqueceria, eu.
Martha Medeiros (via delator)